haru

Nas ruas
Esperança se refaz
Aos poucos
Vira-se a página
Ao branco e preto
Primeiros raios de cor
Despertam a primavera
Embaixo de sakuras

rosa-dos-ventos

Algumas pessoas fzm td sentido
Mas nem sempre, qse nunca
Falam o que precisam falar
Se calam qdo precisam falar
E falam qdo precisam ouvir...

Algumas pessoas fzm td sentido
Mas às vzs, qse sempre
Desorientam ao invés de orientar
Orientam ao invés de sumir
E somem qdo estamos perdidos...

Algumas pessoas fzm td sentido
Mas qse a maioria das vzs
Sorriem para não nos fzr chorar
Choram em silêncio
E silenciam...

vida presente

Volta a colorir
páginas em preto e branco,
outras fzm parte de sua vida
ainda que possível outras
maquia sua epígrafe nas mesmas.

Cada folha que cai
Cada gota que cai
Aqui e lá fora,
[caos]
Simples complexo
Vida presente em preto e branco.

epifania

Ouviu pela janela o vento zunir entre os galhos secos e deu-se conta que a chama estava se apagando. Eram três horas da manhã e ainda estava acordado, procurando no silêncio traduzir sua agonia. O inverno dentro de si, estendia-se até suas mãos que travadas não conseguiam escrever palavra qualquer. A insônia assim como o frio instalou-se naquele quarto, e fizeram-o lembrar alguns fatos que o levaram até ali. O gosto amargo das unhas roídas confundia-se ao gosto atônito de suas próprias escolhas. A vontade de sumir foi tão tão grande que por alguns segundos hesitou e sumiu, simplesmente sumiu, não estava mais naquele quarto muito menos em si, não conseguia pensar em nada, aquele instante foi o momento mais nirvânico que já vivera, nem percebeu que tudo aquilo aconteceu em poucos segundos...

hibernar

Então o outono se despede e dá lugar ao inverno... É hora de hibernar, entorpecer os sentimentos à flor da pele, agora o sangue frio se confunde aos galhos nus. As folhas se foram, levaram consigo as cores lúdicas de um outono nostálgico... Ao acordar, quero café na cama, sentir o cheiro do crepúsculo matutino, do sol derretendo o gelo e aquecendo o plasma, florescendo uma primavera multicolorida.

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.
(Ricardo Reis - Fernando Pessoa)

[errata]

Vou fzr deste post uma retratação, pois senti que ficou uma incógnita no ar... Mesmo tendo este blog um conceito estético preto (no) branco, e até mesmo meio dark, hj eu abro exceção para essa linda imagem que traduz bem o que eu quis dzr no post anterior do contraste das cores quentes com o clima frio que traz nostalgicamente uma saudade que eu "supostamente" não sabia do que se tratava, mas que na verdade é a mesma saudade de algo que realmente nunca aconteceu como eu havia mencionado... Há exatos dois anos, fui surpreendido pelo meu primeiro grande amor, algo pelo qual eu esperava há mto tempo, foi a primeira vez que havia experimentado a cumplicidade e a reciprocidade verdadeira de um sentimento e o mais comum e esperado é que o primeiro amor venha acompanhado do primeiro verdadeiro beijo, o que não aconteceu, todavia aconteceram mtas coisas dps daquele outono que contribuiram significativamente para a formação da pessoa que sou hj... É verdade que o primeiro amor a gnt nunca esquece e no meu caso não tem como esquecer, foi por causa dele que aperfeiçoei a minha visão poética da vida, a partir daquele outono reinventei-me e me permiti ser feliz, de modo a olhar pra dentro de mim mesmo e perceber que meus defeitos e virtudes são normais e que esses são mto importantes, pois fzm de mim a pessoa que eu sou e que preciso ser tolerante com os defeitos e valorizar sempre as minhas virtudes e as dos outros. Enfim foi um momento mto especial da minha vida, é sempre bom relembrar momentos como este e conseguir fzr uma análise positiva de td que aconteceu, infelizmente nem sempre os bons momentos deixam marcas tão profundas e visíveis como as cicatrizes provocadas pelos tombos que sofremos durante o percurso de nossas vidas... E outra verdade é que apesar de ao mesmo tempo me sentir auto-suficiente tb sinto saudades dos tempos em que me apaixonava facilmente e tinha inspirações fantásticas como essa:

"Eis que alcancei a plenitude
dos que jamais serão
Ao respirar pelos pulmões
o que me falta ao coração
Para tais amantes
A dor que o tempo faz do tempo
terminaram..."
(escrito em 25 de maio de 2006)

ruas de outono

O outono me inspira, e é, na minha opinião, a melhor estação do ano, as cores quentes da paisagem contrastam com o clima frio e a gnt sente vontade de ficar mais próximo um do outro, eu sinto uma nostalgia no ar, e eu sinto saudade de algo que eu não sei o que é e que tvz seja algo que nunca aconteceu, é estranho e ao msm tempo bom, é como se algo extraordinário e místico fosse acontecer a qqr hora... Td outono espero algo sobrenatural acontecer... Como no filme "Outono em NY" em que durante o outono alguma coisa acontece e muda a vida dos personagens para sempre... Dias assim me lembram o trecho de um poema do eterno Fernando Pessoa...

"Uma névoa de outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu..."

in memoriam

Qd td está perdido / Sempre existe um caminho / Qdo td está perdido / Sempre existe uma luz / Mas não me diga isso / Hj a tristeza não é passageira / Hj fiquei com febre a tarde inteira / E qdo chegar a noite / Cada estrela parecerá uma lágrima / Queria ser como os outros / E rir das desgraças da vida / Ou fingir estar sempre bem / Ver a leveza das coisas com humor / Mas não me diga isso / É só hj e isso passa / Só me deixe aqui quieto / Isso passa / Amanhã é um outro dia, não é? / Eu nem sei pq me sinto assim / Vem de repente um anjo triste perto de mim / E essa febre que não passa / E meu sorriso sem graça / Não me dê atenção / Mas obrigado por pensar em mim / Qdo td está perdido / Sempre existe uma luz / Qdo td está perdido / Sempre existe um caminho / Qdo td está perdido / Eu me sinto tão sozinho / Qdo td está perdido/ Não quero mais ser quem eu sou / Mas não me diga isso / Não me dê atenção / E obrigado por pensar em mim...
(A Via Láctea - Legião Urbana)


Em memória do meu irmão pelo seu exemplo de força na vida, determinação e coragem.

Vivaldo Ferreira dos Santos - Ferrera (1974 - 2008)

no meio do mundo

"Um edifício no meio do mundo" é um sentimento mutante. Tds já passaram por uma fase assim, é uma mistura de sofrimento, separação, auto-conhecimento, paixão e amor. A verdade é que esse é um sentimento que somente se deve sentir. Como diz uma das minhas poetisas prediletas, Clarice Lispector:

"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora,
pois tudo passa a acontecer dentro de nós"

Essa é uma das características de pessoas intensas, pois rotinamente costumam passar por momentos como esse. As pessoas intensas estão suscetíveis à ambíguidade. Ora esse "tudo" representa um sentimento bom, mas que às vzs tb significa solidão... A verdade é que os sentimentos são mutantes, eles se modificam e amadurecem com o tempo, passando por transformações que chegam a nos confundir e interpelarmos sobre o que realmente sentimos em relação à determinada pessoa, coisa ou assunto...

amor por luis fernando veríssimo

Ela: Vc me ama mais do que td?
Ele: Amo.
Ela: Paixão, paixão?
Ele: Paixão, paixão mesmo.
Ela: Mais do que td no mundo?
Ele: No mundo td e fora dele.
Ela: Num acredito.
Ele: Faz um teste.
Ela: Eu ou fios de ovos?
Ele: Vc, fácil.
Ela: Daqueles com calda grossa, que a gnt chupa o fio e a calda escorre pelo queixo.
Ele: Prefiro vc.
Ela: Futebol.
Ele: Não tem comparação.
Ela: Vc está caminhando, vem uma bola quicando, a garotada grita "Devolve tio" e vc domina, faz dezessete embaixadas e chuta com perfeição.
Ele: Prefiro vc.
Ela: Internacional e Milan em Tóquio pelo campeonato do mundo, passagem e entrada de graça.
Ele: Vc vai junto?
Ela Não.
Ele: Pela televisão se vê melhor.
Ela: Faz mto calor. Aí chove, aí abre o sol, aí vem uma brisa fresca com aquele cheiro de terra molhada, aí toca uma música no rádio e é uma nova do Paulinho. E é sexta-feira e a televisão anunciou um Hitchcock sem dublagem para aquela noite... e o Itamar está dando certo.
Ele: Vc.
Ela: Voltar a infância só pra poder pisar na lama com o pé descalço e sentir fazer squish entre os dedos.
Ele: Vc longe.
Ela: A Sharon Stone telefona e diz que é ela ou eu.
Ele: Que dúvida. Vc.
Ela: Cheiro de livro novo. Solo de sax alto. Criança distraída. Canetinha japonesa. Bateria de escola de samba. Lençol recém-lavado. Letra do Aldir Blanc. Pastel de rodoviária.
Ele: Vc, vc, vc, vc, vc, vc, vc, vc, vc e vc respectivamente.
Ela: A Sharon Stone telefona novamente e diz que se vc se livrar de mim ela já vem sem calcinha.
Ele: Desligo o telefone.
Ela: Fama e fortuna. A explicação do universo e do mercado de commodities, com exclusividade. A vida eterna e um cartão de crédito que nunca expira.
Ele: Prefiro vc.
Ela: Um cerveja geladinha. A garrafa chega estalando. No copo fica com um quarto de espuma firme. O resto é ela, só ela, dzndo "Vem".
Ele: Hummm...
Ela: Como, hummm? Ela ou eu?
(Silêncio de 5 segundos)
Ele: Qual é a marca?
Ela: Seu cretino.


Pra mostrar que além de complexo e misterioso o amor tb pode ser cretino e alcoólatra...

citações

Algumas pessoas passam a vida inteira procurando (ou esperando) alguém que às vzs está tão próximo, mas pq será que passa-se tanto tempo à procura (ou à espera) desse alguém, se o msm está diante dos olhos??? Tvz esse alguém seja mto perfeito ou mto idealizado... A verdade é que não se quer enxergá-lo, pois existe uma cortina de insegurança e medo de se apaixonar... essa reflexão me fez lembrar um trecho do soneto do Poetinha:


"São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida."
(fragmento do Soneto do Corifeu de Vinicius de Moraes)


E a tradução de uma música da Kelly Clarkson:


"O problema do amor é que ele pode te destruir por dentro / Faz seu coração acreditar em uma mentira / É mais forte que seu orgulho / O problema do amor é que não importa quão rápido vc caia / Vc não pode negar sua chamada / Veja, vc não tem o que dzr."
(Tradução de The Trouble With Love Is)


O medo de se entregar à uma paixão pode ser compreendida por acreditar que às vzs é melhor saber que a pessoa certa está ali e por algum momento ignorá-la, quebrar a cara com a pessoa errada e assim aprender a valorizar os valores (por mais redundante que seja), virtudes e defeitos que são tão importantes pra vc e para a outra pessoa... A única segurança então é a ctz de poder quebrar a cara qts vzs forem necessárias, pq a pessoa certa sempre chega na hora certa, fala e faz as coisas certas, assim como diz Veríssimo (o filho e não o pai, mas que tb era fantástico e que é inspiração para outros posts hehehehehe...)
Enfim mtas citações para tentar explicar um sentimento tão complexo e misterioso...

destino

Mtas pessoas já conhecem minha fascinação pela história do Pequeno Príncipe, mas poucos sabem o porquê dessa minha fascinação... Desde criança eu já era viciado em leitura, vivia na biblioteca do meu bairro e aos 8 anos li O Pequeno Príncipe pela primeira vez. Aos 15 anos fiz um curso de Literatura Francesa e ganhei o livro da minha então professora, Mônica Rodrigues, que tb é apaixonada pelo livro, confesso que naquela época achei a história meio boba. Três anos depois fui ao centro de São Paulo para um casting, mas havia chegado mto cedo e lá perto tinha um sebo onde decidi entrar para passar o tempo, lá conheci uma vendedora que tb era apaixonada pelo livro e até tinha uma tatoo do principezinho, conversamos mto e ela me convenceu a ler o livro sem a seriedade de gente grande, imaginem a minha surpresa ao chegar em casa e encontrar a edição comemorativa de 50 anos do livro na mesa do escritório! Minha irmã havia comprado o livro no msm dia. Li o livro e fiquei chocado com carga emocional daquela história. Resultado, reli o livro umas 15 vezes naquela semana na tentativa de recuperar td tempo que havia perdido sem as lições de vida narradas por Exupéry e desde então me apaixono cada dia mais pela a história do principezinho e tenho feito dela qse que uma filosofia de vida.
Td em nossa vida acontece no momento que deve acontecer e nada acontece por acaso... O destino me fez enxergar o tesouro que eu guardara a tanto tempo em uma estante empoeirada, hj aos 21 anos, uma das coisas mais importantes que me aconteceram foi descobrir no Pequeno Príncipe, não só uma, mas mil novas formas de enxergar a vida, as pessoas e as coisas que me ocorrem. Se vcs acreditam em destino, foi ele quem me presenteou com a história do Pequeno Príncipe e não tem preço o que eu aprendi e as pessoas que conquistei, ou melhor, cativei. Gostaria de compartilhar com vcs essa emoção e convencê-los à ler esta história sem a seriedade de gente grande e então descobrir a importância de uma rosa. Fica a dica!

tchau 2007!

Mais um ano se foi... e que ano! 2007 foi pra mim um ano histórico e inesquecível, aconteceram mtas coisas boas e uma coisa mto triste que valem por 17 anos, mas esse é um assunto que espero deixar pro ano que passou... Este blog se inicia com a esperança de registrar bons momentos, mas como os momentos tristes tb fzm parte do cotidiano, pois é preciso que alguns dias não sejam ensolarados para alimentarmos nossa sabedoria com a frieza de dias nublados e chuvosos e assim valorizar mais os dias de sol. Desejo à tds meus amigos e visitantes deste blog um 2008 de mta saúde, paz, sucesso e sabedoria! Feliz 2008 à tds!